terça-feira, 22 de novembro de 2011

À MODA ANTIGA

Sou o tipo de pessoa que divide opiniões. Ou você me ama, ou você me odeia. 
Eu amo quem me ama e respeito quem me odeia. Acho que entendo os dois lados da moeda.
Sou uma criatura arcaica, perdida no século XXI. 
Peço a benção da minha mãe todos os dias e faço o sinal da cruz - quando saio de casa, quando entro no trabalho, antes de dormir. 
Gosto de passar algumas horas com minha família, mesmo que seja apenas pra escutar os problemas da casa. Adoro comida simples e não faço questão de nada "light". 
Brinco de ficar rolando no chão com meu cachorro e dou meu lugar aos idosos no ônibus. Aos demais, ofereço apoio para as bolsas e mochilas.
Sento no meio fio da rua - se tiver vontade - e ando de pijama dentro da minha casa. Me sinto ótima!
Valorizo meus amigos e amo cada um deles: brigo por eles, se tiver que brigar; tenho ciúmes e seguro a tristeza, para não preocupá-los. 
Não trato meus professores pelo primeiro nome e seleciono os programas de TV que as crianças assistem na minha casa. 
Por mais que meus patrões não se esforcem por mim, eu zelo pelo meu ambiente e não deixo o mau-humor eventual atrapalhar minhas atividades. 
Eu sou assim, à moda antiga. Procuro fazer a minha parte, sem esperar nada de ninguém
Eu dou o primeiro passo. Alguns acham legal... Outros, acham hipocrisia, ou sei lá o quê.
Nesse mundo onde a paz vem acompanhada de tanques de guerra, e pouca gente é adepta ao fone de ouvido no celular; eu ainda conservo os valores que aprendi na minha infância. Não deixei meus princípios para trás e tenho muito orgulho disso. Sou a mesma pessoa de sempre, apenas mais madura. 
Antigamente, eu esperava ser aceita. Hoje em dia, não me importo. Quero apenas viver dentro do que eu acredito ser bom para mim e para as pessoas que estão atreladas a mim. Nada mais. 
Eu sou assim: sou Gisele, Gi, Gisa... Ser humano (com qualidades e defeitos) e mangaká.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

EU QUERO TER 1 MILHÃO DE AMIGOS...

No último sábado, concluí mais um curso de mangá. 
Não desmerecendo as turmas anteriores que já formei... Mas esta última foi a melhor de todas.
Foi a melhor por muitas razões, mas principalmente, pela força de vontade que tiveram. O desejo de aprender era tão grande, que os alunos conseguiram extrair de mim uma quantidade enorme de informação; apesar do curto tempo de aulas. Fizemos em 2 meses o que normalmente costumo dividir em 4. 
Foi realmente muito intenso e marcante!
Este curso me fez refletir sobre muitas coisas. Fiquei pensando como 19 pessoas (ou 20, me incluindo entre elas) conseguem produzir uma mesma história, com tanta cumplicidade.
Organização? Disciplina? Roteiro dividido em plot? Isso tudo eu já sei, de cor e salteado. 
Mas, para se trabalhar em grupo, não basta apenas ser bom profissional. É preciso (também) ser um bom ser humano. 
Ao dar aulas, eu não fico presa somente ao lado artístico. Por mais que os alunos venham até mim para buscar conhecimento técnico, eu os vejo como seres humanos, irmãos de pátria e de hobby. 
Assim, começo a me perguntar o que move suas mãos quando estão desenhando... Seria o mesmo sentimento que eu? E se for por raiva, e não por prazer? E se for uma terapia, e não vocação?
Percebo, então, que os motivos são muitos; embora o canal seja o mesmo. E para sintonizar tantas freqüencias distintas, precisamos nos conhecer, interagir... Gostar uns dos outros. Esse é o segredo de um bom grupo.
Essa turma de mangá se respeitou, admirou o trabalho dos colegas, trocou informação, fez contato. 
Enfrentou o medo da tinta borrar, da pintura manchar. Perguntou, respondeu, compartilhou... E aceitaram todo o aprendizado que lhes ofereci, de coração aberto.
Independente de como as águas rolem nos próximos anos, uma coisa eu tenho certeza: não posso parar de dar aulas. Não posso ser egoísta a ponto de segurar minhas experiências dentro de mim, e não dividir com ninguém. Por mais que o meu traço ainda tenha muito que amadurecer; minha trajetória é madura o suficiente para servir de exemplo, de motivação para tantas outras Giseles por aí. 
Infeliz é a pessoa que passa pela vida, sem descobrir sua missão neste mundo... 
Graças a Deus, eu descobri minha missão há muito tempo: espalhar mensagens positivas ao meu redor, da maneira mais gostosa que existe - FAZENDO MANGÁ.


Bj em todos!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TIMIDEZ TEM CURA?

No final de semana, fui ao teatro. Eu, minha mãe e dois amigos.
Ao final do espetáculo, ficamos no foyer esperando o elenco; para cumprimentá-los e dizer "até mais"... Já que não há previsão da peça reestrear em SP. 
Minha mãe queria muito tirar foto com um dos atores... Então, fui eu fazer papel de intermediadora e chamar o rapaz para tirar a foto. 
Conseguimos, a foto ficou ótima... Inclusive peguei um autógrafo! Mas, por alguns instantes, fiquei me achando ridícula; ao perceber o quanto minhas mãos tremiam e o coração palpitava. Morro de vergonha de pedir autógrafos e tirar fotos com artistas. É um sacrifício para mim.

Pensando nisso; acabei lembrando da ocasião em que conheci Luis Fernando Veríssimo. Foi numa palestra, em Juíz de Fora. Aliás, foi a única coisa boa que aconteceu comigo naquele lugar...
Quem acha que vivo só de ler mangás, está redondamente enganado. Gosto dos mais variados tipos de literatura... E Luis Fernando Veríssimo é um dos meus escritores favoritos. 
Tenho em casa um exemplar de "Festa de Criança" autografado. Aliás, é minha relíquia!
A palestra foi há quase 6 anos atrás... Imaginem que, se hoje ainda sou tímida; naquela época, era muito pior. Quase um avestruz. 
Dava qualquer coisa para enfiar a cabeça num buraco e passar despercebida. 
Tamanho foi o meu nervosismo diante de Luis Fernando Veríssimo, que nem consegui abrir minha boca para dizer: "Oi, meu nome é Gisele". Assim, meu autógrafo ficou somente: "Luis Fernando Veríssimo". 
Mas tudo bem... Tá valendo! Assisti a palestra, ganhei um livro e peguei o autógrafo do escritor. Tá ótimo!

E hoje, posso avaliar com orgulho que tive melhoras na minha timidez mórbida. A profissão (de mangaká) e algumas experiências que tive no final da adolescência, me ensinaram a lidar melhor com isso. 
Disfarço bem esse lado envergonhado quando estou trabalhando. 
Timidez é igual diabete: não tem cura... Somente controle dos sintomas.
Algumas pessoas até dão risada quando falo que sou tímida (...). Chega a parecer irônico.

Enfim... Pra terminar, uma dose de Luis Fernando Veríssimo. Bj em todos!

COMUNICAÇÃO
Luis Fernando Veríssimo

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
"Posso ajudá-lo, cavalheiro?"
"Pode. Eu quero um daqueles, daqueles..."
"Pois não?"
"Um... como é mesmo o nome?"
"Sim?"
"Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima."
"Sim senhor."
"O senhor vai dar risada quando souber."
"Sim senhor."
"Olha, é pontuda, certo?"
"O quê, cavalheiro?"
"Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?"
"Infelizmente, cavalheiro..."
"Ora, você sabe do que eu estou falando."
"Estou me esforçando, mas..."
"Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?"
"Se o senhor diz, cavalheiro."
"Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero."
"Sim senhor. Pontudo numa ponta."
"Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?"
"Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?"
"Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho."
"Sinto muito."
"Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando."
"Eu não estou pensando nada, cavalheiro."
"Chame o gerente."
"Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?"
"É de, sei lá. De metal."
"Muito bem. De metal. Ela se move?"
"Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim."
"Tem mais de uma peça? Já vem montado?"
"É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço."
"Francamente..."
"Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa."
"Ah, tem clique. É elétrico."
"Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar."
"Já sei!"
"Ótimo!"
"O senhor quer uma antena externa de televisão."
"Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo..."
"Tentemos por outro lado. Para o que serve?"
"Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa."
"Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e..."
"Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!"
"Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!"
"É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?"
...

(Fonte: VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comunicação. In: PARA gostar de ler, v.7. 3.ed. São Paulo: Ática, 1982. p. 35-37)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

MANGÁ: A 8ª MARAVILHA DO MUNDO

Eu não bebo, não fumo e muito menos uso drogas. Não tenho nenhum destes malditos vícios, graças à Deus!
Meu único vício é baixar o mangá da semana de Bleach, toda quarta-feira. 
Ahhh... Isso sim, abala o meu sistema nervoso! É mais forte do que eu. Já começo a semana pensando na trama de quarta-feira. Morro de raiva, no fim das contas, pois as 19 páginas do mangá são lidas em menos de 2 minutos... Mas é uma sensação indescritivelmente prazeirosa. 
O capítulo desta semana foi ÉPICO! Merece que suas páginas sejam impressas em placas de bronze e fixadas bem no centro da cidade, ao lado de uma estátua do Kubo!
Quem não conhece Bleach, terá um pouco de dificuldade para entender o que estou falando... Mas vou exemplificar de uma forma que todos compreendam. 

Pensem no milagre de um livro: os livros são como baús de histórias, recheados de amor, ódio, alegria, tristeza, saniedade, loucura... E tudo isso nós podemos sentir vividamente, apenas imaginando (já que a maioria dos livros não possuem ilustrações). 
Agora, imaginem o poder incomensurável de palavra + imagem. É 2X mais emocionante, 2X mais nítido, 2X mais memorável. 
Não é a mesma coisa, por exemplo, ouvir alguém dizer que seu ex-namorado chorou no meio da rua pensando em você; e VER o dito cujo chorando. A palavra sempre varia conforme a interpretação de quem ouve... Já a imagem fala por si só. E mais do que isso, ela fica impressa no coração da gente. 
O mangá para mim é a 8ª maravilha do mundo, por fazer esta união mágica de palavra e imagem. 
E Tite Kubo pra mim é um gênio... Um mangaká acima da média.  

O capítulo desta semana de Bleach (nº 459) chama-se "Death & Strawberry 2". Em português, "A Morte e o Morango 2". O título é uma brincadeira, devido ao fato do protagonista Kurosaki Ichigo ter o cabelo laranja - daí, a alcunha de "morango". 
Este foi o título o 1º volume do mangá, onde tudo começou. E com certeza, o título mais apropriado para a ressurreição histórica, gloriosa e triunfal de Ichigo shinigami!!!
Milhares de fãs pelo mundo inteiro devem ter se arrepiado, roído unhas, marejado os olhos e vibrado com o capítulo desta semana. Só resta a mim, enquanto mangaká iniciante; tirar o chapéu e publicar aqui o meu imenso agradecimento ao mestre Kubo por lapidar esta série com tanto carinho e dividir com o mundo os belíssimos frutos de sua obra.
E, para o deleite de todos aqueles que, assim como eu, adoram o Ichigo (que pra mim é o melhor, mais fodástico e lindo protagonista de anime do mundo!); segue a imagem do ano: 


PRA TERMINAR, FICA A MINHA CAMPANHA:
MESMO QUE VOCÊ BAIXE TODOS OS CAPÍTULOS DO SEU MANGÁ FAVORITO (assim como eu),  NÃO DEIXE DE COMPRAR O VOLUME ENCADERNADO NA BANCA DE JORNAIS. 
E EU NÃO FALO APENAS DO VOLUME QUE TEM CAPÍTULOS ÉPICOS... SE VOCÊ TIVER CONDIÇÕES, COLECIONE TUDO.
PENSEM NO TRABALHO QUE DÁ, CRIAR UMA HISTÓRIA BACANA E DESENHAR TANTOS QUADRINHOS... COMPRAR O MANGÁ ORIGINAL É UMA MANEIRA DE PRESTIGIAR O TRABALHO DOS MANGAKÁS E INCENTIVÁ-LOS PARA QUE NÃO PAREM DE PRODUZIR. OK?


Bjnhus!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Que vontade de... Não fazer nada!!!

Tenho mania de esquecer que sou uma só. 
Faço mil coisas ao mesmo tempo, e raramente tenho um dia INTEIRO de folga. 
A frase que eu mais gosto de falar é a que menos tenho dito ultimamente:
HOJE EU NÃO QUERO FAZER NADA.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

BORA PRO ANIMAEMBU 2011?

Olá pessoal,
Quero convidar todos para o ANIMAEMBU 2011!!!
Eu estarei lá nos dois dias, na tenda nº 02, coordenando atividades e realizando minha boa e velha oficina de mangá.
Pra quem ainda não conhece meu trabalho, vou ficar muito feliz com a visita!
E quem já conhece... Nem preciso dizer que será um prazer recebê-los novamente! :)

O Festival de Cultura Japonesa será realizado nos dias 18 e 19 de junho (próximo final de semana):
- sábado: das 10h às 23h
- domingo: das 10h às 18h


O local de realização é o Parque Francisco Rizzo (clique aqui para ver localização).

Além das atrações do Festival (danças e comidas típicas, exposição de orquídeas, oshibana, match de cães Akita, etc); o Animaembu traz:
  • Espaço temático e desfile de moda Kawaii;
  • Oficina de mangá e exposição de trabalhos;
  • Concurso e Oficina de animekê;
  • Concurso e Oficina de cosplay;
  • Torneio de Magic;
  • Palestra de dublagem com Élcio Sodré (a voz de Shiryu e Kakashi);
  • Batalha campal;
Entre outros.

E estes são os endereços para mais informações: http://anime.geocities.jp/animaembu/ / www.animaembu.bloogspot.com

QUEM PUDER, COMPAREÇA!
Bj em todos!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ANTES E DEPOIS

Andei pensando como as coisas mudaram... Como eu mudei nos últimos tempos.
A escola é um bom exemplo disso.

PROFESSOR FALTOU
Na época da escola: "Oba! Graças a Deus!"
Hoje, na faculdade: "Merda... Fez eu vir aqui à toa!?!?"

AULA VAGA
Na época da escola: "Oba! Vamos ficar enchendo lingüiça!"
Hoje, na faculdade: "Fui... Até amanhã!"

EXPOSIÇÕES E ATIVIDADES EXTRA-CURRICULARES
Na época da escola: "Pra quê eu vou fazer isso?"
Hoje, na faculdade: "Oba! Mais um pontinho no meu relatório..."

FILME EM SALA DE AULA
Na época da escola: "Que legal!"
Hoje, na faculdade: "Vou cabular..."

PASSAR COLA
Na época da escola: "Ok, pode pegar! Só não esquece de devolver a borracha..."
Hoje, na faculdade: "Não estudou, problema seu!"

O "QUERIDINHO" DA SALA
Na época da escola: "Que lindo! Que fofo!"
Hoje, na faculdade: "Deve ser gay"

TRABALHO EM GRUPO
Na época da escola: "Ninguém ajudou, mas vou botar o nome de todos."
Hoje, na faculdade: "Vai ficar sem nota e estou pouco me lixando!"

DINHEIRO DO LANCHE
Na época da escola: "Com R$ 1,00 dá pra comprar geladinho a semana inteira!"
Hoje, na faculdade: "Gasto R$ 10,00 de lanche num único dia..."

ÔNIBUS
Na época da escola: "Tomara que seja o motorista que me dá carona..."
Hoje, na faculdade: "Tomara que tenha lugar pra sentar..."

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
Na época da escola: "Não é obrigatória"
Hoje, na faculdade: "Não precisa comprar... Mas acho que vocês devem ler!"

Fico pensando como vai ser daqui a uns 10 anos...

terça-feira, 24 de maio de 2011

TEIA

Olá pessoal. Voltei.
Vocês sabem que, quando tomo chá de sumiço, estou envolvida em algum projeto.
Desta vez, não foi diferente.
Nos últimos dias 20, 21 e 22; aconteceu a TEIA Regional Oeste... E eu fiz parte da equipe de organização, representando o Instituto JUMP.
Matei dois dias de aula na faculdade, para poder acompanhar os preparativos da véspera. E eis que, na sexta-feira, foi dada a largada.
Não consegui despensa no trabalho. Dei um pulinho rápido na TEIA entre 8h e 10h da manhã, voltei para o escritório, e à noite, entreguei meu corpo e minha alma ao evento.
À noite, na abertura oficial, celebramos o início do que seria o maior circuito cultural já realizado em Embu.
A Praça do Rosário foi o palco das apresentações de Cabeções, danças indígenas, taiko e samba de bumbo.
Gente subindo nos bancos da praça, invadindo o canteiro... Tudo para contemplar esta mistura heterogênea e diversificada que presenteou a noite de todos ali presentes.
Dormi no alojamento. Sobre dois colchonetes, dividi o espaço com índios, jovens e adultos; vindos de diferentes regiões. Achei que não ia pregar os olhos, mas desmaiei e só acordei às 6h da manhã no dia seguinte.
Esqueci de levar chinelo e toalha. Tomei banho descalça (detalhe: 6h da manhã estava frio pacas!) e improvisei minha toalha com uma camiseta.
Passei de quarto em quarto acordando as pessoas. Até que 7:45h, saímos todos em direção ao café da manhã.
Um grupo de pessoas que nunca tinha se visto, mas que se uniu graças à cultura. Pensei nisso por várias vezes.
Acompanhei a brilhante oficina de software livre, de Pedro Jatobá (I-Teia / PE) na parte da manhã, corri para recepcionar alguns hóspedes no alojamento, e assisti à sessão de filmes com debates no período da tarde. Quase cochilei duarante a sessão, dando plenos sinais de cansaço. Mas segurei a onda e venci a luta com o sono.
No comecinho da noite, dei apoio no credenciamento e peguei o finalzinho da apresentação do grupo Vozes de Taubaté, no Teatro Popular Solano Trindade - que estava deslumbrante, diga-se de passagem.
Assisti belíssimas danças africanas, maracatus, sambas-de-bumbo; e às 22h e pouca, fui matar a saudade da minha cama e do meu cachorro. Dormi em casa.
No domingo, após um credenciamento conturbado; acompanhei a maravilhosa Fanfarra de Caieiras, que fez a Feira de Artes parar por alguns momentos e contemplar sua apresentação.
Depois, fui para o Teatro Popular Solano Trindade assistir a apresentação de taiko do JUMP, com direito a bis e à emoção da sra. Raquel Trindade.
Um breve descanso após o almoço, e começou a grande marcha da Folia dos Pontos, unindo a fanfarra, o samba-de-bumbo e o maracatu num cortejo com mais de 150 pessoas.
Como pode um grupo tão gigantesco andar e tocar harmoniosamente, sem fazer um ensaio sequer?
Simples, meus caros. Este é o incrível poder que a arte e a cultura exercem sobre nós.
Na volta do cortejo, assisti belas apresentações de Vítor Trindade, Zumaluma e Batucada Tamarindo; encerrando a noite e a TEIA com muito samba no pé.

Para mim, foi a maior experiência cultural que já tive na vida.
Dormir com pessoas diferentes, conhecer outras culturas, diferentes da minha, e colaborar na organização de um evento tão grande; me fez evoluir como artista, ser humano e profissional.
Queira Deus que a cultura do Brasil se fortaleça cada vez mais, para que todos tenham chance de alimentar a alma no cálice da arte.

terça-feira, 12 de abril de 2011

RELAÇÃO ARTE-VIDA

Oi pessoal!
Sabem que o curso de Artes Visuais está me fazendo muito bem?
É como se em cada aula, minha cabeça fosse aberta pela metade; e um monte de coisas fosse colocada dentro dela. De repente, muitas coisas começaram a fazer sentido.
Há mais ou menos 6 anos atrás, eu fui com um grupo visitar a Bienal de Artes de SP. Estava muito animada, mas ao mesmo tempo eu tinha medo de achar tudo um saco.
No auge da nossa "ignorância artística", não conseguimos enxergar nada além de um monte de borrões e linhas tortas nas pinturas abstratas. Sem querer, a gente acaba dizendo: "Nossa, como é que conseguem chamar essa coisa feia de arte?".
Eu era assim. Era ignorante artisticamente. Achava que arte estava relacionada à beleza, a imitação perfeita, a harmonia. Não entendia que, por trás de um quadro abstrato, existe algo muito importante, chamado "poética". Mas enfim, voltemos à Bienal...
Graças a Deus, havia um monitor para acompanhar minha turma pela Bienal de Artes. Graças ao monitor, a nuvem da ignorância se dissolveu e todas aquelas obras fizeram "sentido" para mim. Hoje, estudando Artes, eu entendo exatamente a consistência daquele trabalho; e quais são as referências daquele profissional. Hoje eu sei que, a função do monitor é "clarear a visão artística das pessoas", através da crítica. Hoje eu entendo e admiro isso.
Essas coisas ninguém nasce sabendo. A gente aprende. E muitas vezes, ninguém nos oferece esse aprendizado: nós temos que buscá-lo. Vivemos num país onde infelizmente, é interessante para o Governo, que as pessoas sejam ignorantes. Quanto mais ignorante é um povo, menos crítico ele é. Mais passivo ele é. Aceita as "esmolas" que o Governo dá e acha que está sendo bem cuidado assim... Recebendo migalhas.
Temos que buscar o que é bom por conta própria. "Clarear" nossa visão o máximo que pudermos. Não é porque a mídia nos empurra um BBB (Big Bosta Brasil), que somos obrigados a assistí-lo. Se você, assim como eu, não suporta esses reallitys ridículos; vá ler um livro, passear com o cachorro, jogar Uno com a família.
Para tudo existe uma segunda opção. Eu optei por viver da Arte... Da mesma forma que ela vive dentro de mim.

terça-feira, 15 de março de 2011

1º DIA DE AULA

Ontem foi meu primeiro dia de aula na faculdade. Finalmente chegou o tão sonhado dia...
Eu sabia que ficaria mais perdida que uma formiga quando perde seu rastro - só não imaginava que seria tanto.
Na entrada, momento de observar... Vi que todos os alunos encostavam cartões amarelos na catraca, para poder entrar. Rezei para não ter esquecido meu cartão provisório em casa...
Achei que estava no estojo. Errei. Estava na carteira.
"PLIM!" - acesso permitido.
Segui o fluxo... Atravessei o refeitório, entrei no prédio. Comecei a subir as escadas.
Nenhuma identificação nas portas, além dos números.
Pensei comigo: "Cacete! E agora? Não tem ninguém pra informar os novos alunos!"
Desci as escadas. Procurei por alguma lista ou identificação no pátio. Nada.
Recorri a moça que fazia publicidade dos financiamentos universitários. Disse que estava perdida, era meu primeiro dia de aula... E ela respondeu: "Olha, eu acho que tem algumas listas lá na entrada, mas eu cuido dos financiamentos. Você já conhece? Vou anotar seu e-mail e mandar tudo explicadinho...". Nisso, já eram 19:20h. A aula começava às 19:10h.
Ela acabou me expremendo como uma laranja: pediu meu nome, RG, CPF, data de nascimento...
Bom, pelo menos deu tempo de secar o suor do rosto.
Terminado o interrogatório, voltei à entrada para procurar as tais listas. ENCONTREI!
1º semestre de Artes Visuais, bloco B, 3º andar, sala 314.
Jóia. E onde era bloco A ou bloco B? Xinguei de novo.
Para meu azar, entrei no bloco A.
Fui obrigada a pedir informação. Escolhi uma mocinha de feição amena, trajada em social... Achei que ela estudasse administração ou direito. Seria menor a possibilidade de rir da novata perdida.
Com tristeza, ouvi ela dizer: "Ah, você vai ter que descer tudo de novo... O bloco B é depois do refeitório".
Fazer o quê. Desci tudo de novo. Suava horrores e estava ridicularmente atrasada.
Mas finalmente entrei no bloco certo e achei a sala. Quase vazia, para minha felicidade.
Deus me livre de chegar atrasada no primeiro dia de aula, numa sala lotada de estranhos...

Enfim, tomei meu lugar (o último, na extremidade esquerda).
Adorei a sensação de voltar ao "fundão". E me senti ainda melhor quando percebi que estava dando um grande passo na minha vida.
Acho que 2011 será um ano divisor de águas em minha vida. Sinto que muitas coisas vão acontecer. Será difícil, cansativo... Mas sou Gisele, né? Vou enfrente e vencerei, com certeza!

sábado, 15 de janeiro de 2011

MIL CORAÇÕES E UM GIBI

Minha coleção de "Karekano" está quase completa.
Ufa! Esperei mais de 2 anos para poder dizer isso!
Apesar de desenhar shonen, e "exagerar" um pouquinho nas lutas e sangue; eu gosto muito de shoujo mangá. Esse gênero me enriquece muito, como roteirista principalmente, mas no desenho também.
Desenhar uma casa explodindo, é muito fácil para quem sabe desenhar. Quadrado, círculo, triângulo... Tudo que é material é simples de desenhar.
Mas como é que se desenha rancor, timidez, inveja, remorso? Como desenhar uma coisa que não se pode ver? Essa é a grande vantagem do shoujo. Admiro estes mangakás que conseguem capturar e colocar no papel sentimentos tão difíceis como amor, ternura, ódio e culpa.
Mesmo que eu seja desenhista de shonen, minhas lutas não são mera violência gratuita. Cada golpe traz a sombra de um sentimento, um ideal, um motivo maior. Todas as histórias são carregadas de emoções... E eu acabo lendo muitos shoujos para aperfeiçoar minha capacidade de traduzir essas coisas.
"Karekano" é, de longe, meu mangá preferido. Li uma reportagem sobre a série, e fiquei interessada. Comprei o primeiro volume apenas para conhecer... E fiquei presa!
O que mais gosto é do jeito lúdico que a mangaká tem, da maneira doce com que ela expressa os sentimentos das personagens. Ela se apoia em tudo que têm para fazer o leitor entender o pensamento do personagem: associa símbolos aos sentimentos (principalmente flores), usa bastante o plano da memória, utiliza muitos chibis, expressões caricatas... e descreve detalhes, inclusive cheiro, textura e temperatura. Por mais que o roteiro seja brilhante, o trabalho não seria tão perfeito se o desenho não estivesse à altura.
Este é o lema que rege meu trabalho: o desenho precisa ser tão bom quanto o texto. Se eu pretendo fazer histórias incríveis e emocionantes... Preciso desenhar páginas incríveis e emocionantes.
Uma explosão é emocionante por si só. Um tapa na cara não é.
O bom desenhista é aquele que consegue fazer um gesto simples numa imagem surpreendente.
Neste ponto, Masami Tsuda é meu principal espelho. Ela tem algumas deficiências bem parecidas às minhas, no traço... Mas a maneira subjetiva de escrever é bem parecida. Lendo Karekano, aprendi que excesso de sentimento (mesmo no shonen) não é piegas. Ao contrário, é humano.
Num dos volumes de Karekano, a Tsuda fala que está sofrendo para terminar de ler "O Mundo de Sophia". Eu tenho esse livro... E li com a maior facilidade do mundo.
Fiquei pensando nessa magia especial dos livros, em "tocar" milhares de pessoas pelo mundo inteiro. É quase como uma grande teia de corações. E senti-me uma pessoa extremamente abençoada, por ser uma profissional dessa teia.
Sinceramente, não quero ficar milhonária vendendo mangás. Não é o desejo de dinheiro que move o meu trabalho. Quero que meus mangás consigam unir os corações de muitas pessoas, formando uma grande teia. Quero que as pessoas riam, chorem, sintam adrenalina... E sejam cada vez mais humanas, viajando com as minhas histórias.