quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TIMIDEZ TEM CURA?

No final de semana, fui ao teatro. Eu, minha mãe e dois amigos.
Ao final do espetáculo, ficamos no foyer esperando o elenco; para cumprimentá-los e dizer "até mais"... Já que não há previsão da peça reestrear em SP. 
Minha mãe queria muito tirar foto com um dos atores... Então, fui eu fazer papel de intermediadora e chamar o rapaz para tirar a foto. 
Conseguimos, a foto ficou ótima... Inclusive peguei um autógrafo! Mas, por alguns instantes, fiquei me achando ridícula; ao perceber o quanto minhas mãos tremiam e o coração palpitava. Morro de vergonha de pedir autógrafos e tirar fotos com artistas. É um sacrifício para mim.

Pensando nisso; acabei lembrando da ocasião em que conheci Luis Fernando Veríssimo. Foi numa palestra, em Juíz de Fora. Aliás, foi a única coisa boa que aconteceu comigo naquele lugar...
Quem acha que vivo só de ler mangás, está redondamente enganado. Gosto dos mais variados tipos de literatura... E Luis Fernando Veríssimo é um dos meus escritores favoritos. 
Tenho em casa um exemplar de "Festa de Criança" autografado. Aliás, é minha relíquia!
A palestra foi há quase 6 anos atrás... Imaginem que, se hoje ainda sou tímida; naquela época, era muito pior. Quase um avestruz. 
Dava qualquer coisa para enfiar a cabeça num buraco e passar despercebida. 
Tamanho foi o meu nervosismo diante de Luis Fernando Veríssimo, que nem consegui abrir minha boca para dizer: "Oi, meu nome é Gisele". Assim, meu autógrafo ficou somente: "Luis Fernando Veríssimo". 
Mas tudo bem... Tá valendo! Assisti a palestra, ganhei um livro e peguei o autógrafo do escritor. Tá ótimo!

E hoje, posso avaliar com orgulho que tive melhoras na minha timidez mórbida. A profissão (de mangaká) e algumas experiências que tive no final da adolescência, me ensinaram a lidar melhor com isso. 
Disfarço bem esse lado envergonhado quando estou trabalhando. 
Timidez é igual diabete: não tem cura... Somente controle dos sintomas.
Algumas pessoas até dão risada quando falo que sou tímida (...). Chega a parecer irônico.

Enfim... Pra terminar, uma dose de Luis Fernando Veríssimo. Bj em todos!

COMUNICAÇÃO
Luis Fernando Veríssimo

É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
"Posso ajudá-lo, cavalheiro?"
"Pode. Eu quero um daqueles, daqueles..."
"Pois não?"
"Um... como é mesmo o nome?"
"Sim?"
"Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima."
"Sim senhor."
"O senhor vai dar risada quando souber."
"Sim senhor."
"Olha, é pontuda, certo?"
"O quê, cavalheiro?"
"Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?"
"Infelizmente, cavalheiro..."
"Ora, você sabe do que eu estou falando."
"Estou me esforçando, mas..."
"Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?"
"Se o senhor diz, cavalheiro."
"Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero."
"Sim senhor. Pontudo numa ponta."
"Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?"
"Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?"
"Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho."
"Sinto muito."
"Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando."
"Eu não estou pensando nada, cavalheiro."
"Chame o gerente."
"Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?"
"É de, sei lá. De metal."
"Muito bem. De metal. Ela se move?"
"Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim."
"Tem mais de uma peça? Já vem montado?"
"É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço."
"Francamente..."
"Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa."
"Ah, tem clique. É elétrico."
"Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar."
"Já sei!"
"Ótimo!"
"O senhor quer uma antena externa de televisão."
"Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo..."
"Tentemos por outro lado. Para o que serve?"
"Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa."
"Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e..."
"Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!"
"Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!"
"É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?"
...

(Fonte: VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comunicação. In: PARA gostar de ler, v.7. 3.ed. São Paulo: Ática, 1982. p. 35-37)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

MANGÁ: A 8ª MARAVILHA DO MUNDO

Eu não bebo, não fumo e muito menos uso drogas. Não tenho nenhum destes malditos vícios, graças à Deus!
Meu único vício é baixar o mangá da semana de Bleach, toda quarta-feira. 
Ahhh... Isso sim, abala o meu sistema nervoso! É mais forte do que eu. Já começo a semana pensando na trama de quarta-feira. Morro de raiva, no fim das contas, pois as 19 páginas do mangá são lidas em menos de 2 minutos... Mas é uma sensação indescritivelmente prazeirosa. 
O capítulo desta semana foi ÉPICO! Merece que suas páginas sejam impressas em placas de bronze e fixadas bem no centro da cidade, ao lado de uma estátua do Kubo!
Quem não conhece Bleach, terá um pouco de dificuldade para entender o que estou falando... Mas vou exemplificar de uma forma que todos compreendam. 

Pensem no milagre de um livro: os livros são como baús de histórias, recheados de amor, ódio, alegria, tristeza, saniedade, loucura... E tudo isso nós podemos sentir vividamente, apenas imaginando (já que a maioria dos livros não possuem ilustrações). 
Agora, imaginem o poder incomensurável de palavra + imagem. É 2X mais emocionante, 2X mais nítido, 2X mais memorável. 
Não é a mesma coisa, por exemplo, ouvir alguém dizer que seu ex-namorado chorou no meio da rua pensando em você; e VER o dito cujo chorando. A palavra sempre varia conforme a interpretação de quem ouve... Já a imagem fala por si só. E mais do que isso, ela fica impressa no coração da gente. 
O mangá para mim é a 8ª maravilha do mundo, por fazer esta união mágica de palavra e imagem. 
E Tite Kubo pra mim é um gênio... Um mangaká acima da média.  

O capítulo desta semana de Bleach (nº 459) chama-se "Death & Strawberry 2". Em português, "A Morte e o Morango 2". O título é uma brincadeira, devido ao fato do protagonista Kurosaki Ichigo ter o cabelo laranja - daí, a alcunha de "morango". 
Este foi o título o 1º volume do mangá, onde tudo começou. E com certeza, o título mais apropriado para a ressurreição histórica, gloriosa e triunfal de Ichigo shinigami!!!
Milhares de fãs pelo mundo inteiro devem ter se arrepiado, roído unhas, marejado os olhos e vibrado com o capítulo desta semana. Só resta a mim, enquanto mangaká iniciante; tirar o chapéu e publicar aqui o meu imenso agradecimento ao mestre Kubo por lapidar esta série com tanto carinho e dividir com o mundo os belíssimos frutos de sua obra.
E, para o deleite de todos aqueles que, assim como eu, adoram o Ichigo (que pra mim é o melhor, mais fodástico e lindo protagonista de anime do mundo!); segue a imagem do ano: 


PRA TERMINAR, FICA A MINHA CAMPANHA:
MESMO QUE VOCÊ BAIXE TODOS OS CAPÍTULOS DO SEU MANGÁ FAVORITO (assim como eu),  NÃO DEIXE DE COMPRAR O VOLUME ENCADERNADO NA BANCA DE JORNAIS. 
E EU NÃO FALO APENAS DO VOLUME QUE TEM CAPÍTULOS ÉPICOS... SE VOCÊ TIVER CONDIÇÕES, COLECIONE TUDO.
PENSEM NO TRABALHO QUE DÁ, CRIAR UMA HISTÓRIA BACANA E DESENHAR TANTOS QUADRINHOS... COMPRAR O MANGÁ ORIGINAL É UMA MANEIRA DE PRESTIGIAR O TRABALHO DOS MANGAKÁS E INCENTIVÁ-LOS PARA QUE NÃO PAREM DE PRODUZIR. OK?


Bjnhus!