segunda-feira, 4 de março de 2013

ROTINA: o grande vírus do comodismo.

Às vezes, você deita no sofá e fica olhando para as paredes, para o teto...
Mesmo que não queira pensar em nada, acaba pensando. Comigo é assim.
Há alguns dias atrás, caí nessa. Não queria pensar em nada, mas acabei refletindo sobre a minha vida.
Estava tudo no lugar: faculdade OK, curso de inglês OK, emprego OK. Estava tudo OK até demais. Conformismo demais, rotina demais... E isso não é bom.
Sou o tipo de pessoa que, quando sente que a água ficando morna, procura logo um jeito de "movimentar as partículas". A vida é como uma caneca de chá (e eu adoro chá!). Chá morno é um horror. Pra ficar gostoso, tem que estar quente, ou bem geladinho. Quando a vida está muito OK, é sinal de que está ficando morna.
O sonho da grande maioria das pessoas é se estabilizar: ter um bom emprego (de preferência, concursado), um casamento de papel passado, diploma emoldurado na parede. Aos olhos do mundo capitalista, isso é sinônimo de sucesso. Não estou dizendo que as pessoas não devam trabalhar, estudar, casar na igreja... Nada disso! Aliás, meu sobrenome é hora-extra. Mas, será que sair de casa todos os dias no mesmo horário, pegar sempre o mesmo itinerário de ônibus ou escolher uma graduação em função do mercado é realmente bom? Eu acho que não.
De tanto acordar sempre no mesmo horário, chega um momento que você não consegue esticar o sono nem no dia da sua folga. Fica sem gás, não consegue acompanhar o pique dos amigos.
De tanto fazer sempre o mesmo trajeto, pegar sempre o mesmo ônibus, você não conhece outros lugares. Conseqüentemente, não conhece gente nova. O caminhar fica mecânico: se você fechar os olhos, as pernas se movem sozinhas.
Por escolher o curso da faculdade pensando apenas no dinheiro, você sofre como um camelo... Às vezes, nem consegue se formar, ou não exerce a profissão; não se torna um bom profissional.
Diagnosticada essa rotinice aguda; percebi que era o momento de ligar o microondas e aquecer o chá da minha vida. Ou então, colocar pra gelar.
A maioria das pessoas não compreende, quando a gente toma uma decisão radical. Grande parte do mundo é alienado pela rotina, pela subordinação. Pode parecer que não, mas ainda existe muita gente que segue o ditado: "se você tem um emprego, segure com unhas e dentes", ou "faça uma faculdade que recompense seus gastos no futuro". OK... Se você é desse time, respeito sua opinião. Mas, me responda uma coisa: o que você sente, ao colocar os pés pra fora de casa pela manhã? O que move seu corpo: seu coração, ou sua necessidade?
Se você não sente alegria quando vai para o trabalho, se a única coisa que te move é o aperto no bolso... Meu amigo, sinto informar, mas você é uma pessoa infeliz. Uma pessoa como eu, que trabalha em período integral, passa a maior parte do tempo no trabalho. Que sentido faz dedicar grande parte da sua vida numa coisa que não te realiza, não lhe traz satisfação?
"Ah, mas o meu chefe é legal... Quase como um pai pra mim". Ótimo. Mas lembre-se que o bom pai deseja sempre as melhores coisas para o filho, quer que ele cresça. E, muitas vezes, você precisa ficar longe dele para poder crescer.
"Então, não era bem esse curso que eu queria fazer, mas é o que está em alta no mercado atualmente". Lindo. Só que, infelizmente, não existe uma cláusula no seu contrato da faculdade que lhe garante emprego na área após o término do curso. Fazer faculdade significa alimentar o cérebro, ampliar os horizontes e estar qualificado para exercer determinada profissão. Colocação no mercado trabalho é conseqüência de muito empenho e competência... Sem exceções. No Brasil, meu amigo, só tem emprego garantido quem é parente ou puxa-saco de político.
Enfim... Eu estou mudando. Estou experimentando novos ares, desbravando novos territórios. Quero me livrar do vírus da rotina (já que pra isso, não existe vacina). A vida está ótima, tudo no seu devido lugar... Mas eu acredito que posso dar passos maiores. Existe um mundo enorme diante dos meus olhos, e eu me sinto pronta para conhecê-lo.  

Bj em todos!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

365 DIAS PARA RECOMEÇAR

Já virou ritual. 
Sempre no dia 31 de dezembro, eu faço uma limpeza no meu guarda-roupas; para não virar o ano em meio ao Tsunami de bagunça. Jogo fora todos os papéis desnecessários que guardei, as anotações que não me servem mais. Organizo os livros, os cadernos, as revistas, os trabalhos da faculdade, os discos, os esmaltes. 
Descarto as roupas que não me cabem, pois não quero prometer emagrecimento. Ficarei feliz se não ganhar mais peso, além do que já tenho. 
Dei uma nova pasta ao meu portifólio... Novinha, florida, perfeita! Dei aos meus desenhos um abrigo à altura de toda paz e realização que eles simbolizam para mim.
Contei minha coleção de mangás, fiquei feliz ao perceber que eles praticamente dobraram, ao longo do ano... E encontrei muita coisa perdida, em meio à bagunça. Coisas que eu já nem lembrava mais.
Esse ritual de limpeza do guarda-roupas é uma preparação, para a limpeza mais profunda e complexa de todas: a limpeza do coração, do espírito. Essa leva mais tempo... E tende a revelar muito mais coisas, do que àquelas escondidas na bagunça do armário. 
Revirando os papéis, lendo os encartes dos CD's e revendo fotos; um clima de nostalgia e reflexão toma conta de mim. E, geralmente, fico feliz ao final do processo. O saco de lixo de 60 litros, cheio papéis rasgados e outras quinquilharias, me dá a certeza de que, para acertar, é preciso errar algumas vezes. E aprender com os erros. Se fiz tantas coisas boas no decorrer do ano, se tive tantos momentos felizes, é porque fiz muitos rascunhos. Agora, creio que eu esteja apenas colhendo os frutos... Arte-finalizando todos os desenhos que vim desenhando, desde muito tempo atrás. 
E jogar fora os rascunhos, não significa que eu esteja ocultando o passado. Em hipótese alguma. Significa, apenas, que o amadurecimento chegou; e o aprendizado já está impresso na minha alma. É como fazer strogonoff: depois de um tempo, você não precisa mais da receita. Já sabe de cor. 
Assim, me livrei de muitas coisas e abri caminho para novas coisas... Novos livros, CD's e experiências. Renovei meu guarda-roupas e também meu coração.
Começo 2013 com as coisas que me são essenciais, das quais preciso para viver: poucas anotações, cada coisa no seu devido lugar e um grupo restrito de pessoas amadas; que fazem parte de mim. Gente que errou comigo, errou por mim e corrigiu meus erros. Pessoas com péssimos defeitos, mas que eu amo incondicionalmente, por acreditar que suas qualidades são infinitamente maiores. Descartei muita gente que me amou só de passagem, por 1 semana, 3 meses, 7 ou 8 no máximo; para dar mais espaço àquelas que não estão presentes o tempo todo; mas estão comigo sempre que preciso. 
Não quero que as pessoas queridas fiquem iguais aos meus livros e mangás na prateleira: espremidos, empilhados, apertados, com falta de espaço. O segredo da felicidade não é ter 1.750 "amigos" numa rede social, e conversar com elas numa janelinha de bate-papo; num mundinho onde todo mundo é perfeito e politicamente corretos. Felicidade mesmo, é ter um grupo de 4 ou 5 insanos, que te fazem passar vergonha em público, e mandam sms no meio da noite, sabendo que você está dormindo... Mas te deixam chorar no ombro deles o tempo que precisar. 
Organizei os livros, dividi todos por gênero, cada qual no seu devido lugar... E organizei minhas prioridades. Cada qual conforme seu grau de relevância.     
Fiquei feliz por ter dobrado a coleção de mangás... E agradeci a Deus por ter me dado saúde e trabalho, para comprar cada um deles. 
Aproveitei também para agradecer a Deus pelo ótimo ano que tive. Por não ter perdido nenhum ente querido, por não ter tido problemas de saúde na família, pelas pessoas bacanas que conheci, pelos lugares bonitos que visitei, pela faculdade... Enfim, por ter vivido tudo isso. Às vezes com a barriga doendo, tanto gargalhar; às vezes soluçando, de tanto chorar... Mas VIVA! E sempre com um grupo de gente querida ao meu lado, fazendo cócegas, emprestando lenços. 
Entrei em 2013 com o guarda-roupas extremamente organizado... Exceto pela caixinha de esmaltes. Essa eu deixei bagunçada, do mesmo jeito... Para lembrar que, às vezes, é preciso deixar-se enlouquecer. 
FELIZ 2013, PESSOAL!!!
Bj em todos! ^^